A tecnologia ainda vai fazer muito mais pelo ser humano.
Quem vai para a Campus Party, no entanto, já sabe: nós já vivemos “no futuro”.
Tudo bem que ainda não temos hoverboards ou carros
voadores, mas basta dar uma voltinha pelas atrações de uma Campus Party,
incluindo as maratonas de desenvolvimento e programação, para descobrir que o
que fazemos hoje superou o que alguém já sonhou no passado. O futuro é aqui e
agora. O que a CP faz é trazer esse conceito para uma realidade palpável.
O evento é conhecido como a maior experiência tecnológica
do mundo, que junta em um mesmo lugar jovens nerds das mais diferentes partes
do globo, em um festival de inovação, criatividade, ciência, empreendedorismo e
entretenimento.
Em 2018, será realizado em sete países, incluindo o Brasil,
e pode ser uma boa desculpa não só para aprender mais da tecnologia emergente
como, também, conhecer um pouquinho do país em questão. “O mais impresionante é
a participação dos brasileiros nas campus pelo mundo, eles sempre vão, as
comunidades sempre são representadas, na ultima campus argentina tivemos vários
brasileiros lá”, completou Tonico Novais,diretor da Campus Party Brasil.
Filas
para entrar são inevitáveis, a não ser que você decida perder a abertura e um
dia inteiro de Campus. Portanto, tenha paciência ou chegue no fim do dia ou à
noite. No primeiro dia não acontecem palestras, então é um momento de rever os
amigos e se organizar nas bancadas e barraca de camping. Chegando a noite, não
terá filas grandes e o campuseiro conseguirá se organizar rapidamente.
A
partir do segundo dia, é importante ir bem cedo se você quiser um lugar bom nas
melhores palestras, especialmente nas falas dos magistrais ou webcelebridades. “Uma
estratégia é chegar antes de terminar a anterior e revezar com um amigo,
deixando a mochila para guardar a vaga vigiando sempre, é claro”, falou
Henrique Pucci mestrando de Inteligência Artificial da USP.
Faça
uma lista com o básico que deve levar, incluindo um colchão para dormir mais
confortável, não esqueça de produtos de higiene pessoal, remédios, documentos e
preservativos, para melhorar a ida ao banheiro, leve um cabide para pendurar
suas roupas, sabonete líquido.
Não
se pode escolher o local da barraca, já que é tudo feito pela organização de
forma prévia, se você puder trocar com um amigo de caravana, prefira a área que
fica no final do camping para ter mais silêncio e ficar mais próximo das
duchas; ou no começo se preferir ficar perto da “confusão”.
É
importante também ir direto para sua barraca assim que chegar, há relatos de
que alguns campuseiros pegam qualquer uma sem permissão, o que pode gerar dor
de cabeça. “São milhares de pessoas compartilhando o mesmo local, por isso
tenha paciência e chame alguém da organização para reportar o problema e
conseguir outra barraca caso isso ocorra com você” explicou Tonico.
Apesar
de toda a infraestrutura, um ponto em comum na lista de reclamações dos
campuseiros é a alimentação oferecida: cara demais e nem sempre acerta ao gosto
de todos. A boa notícia é que há diversas alternativas, como levar sua própria
comida ou pedir delivery.
Se
optar pela primeira opção, vale de tudo, os campuseiros recomendam levar
congelados, pães, sucos e frutas em um isopor ou caixa térmica com gelo que
possa ser reabastecido no supermercado mais próximo. Basta então levar talher e
copos de plástico e usar os micro ondas disponíveis para economizar.
Se
você preferir pedir comida, é possível encontrar grupos maiores para dividir,
normalmente, pizzas. Também existe o “marmotex”, uma empresa que foi criada por
um campuseiro e oferece serviço de entrega de marmitas com vários tipos de
cardápio.
Caso
prefira pedir algo só para você ou um grupo pequeno de pessoas, é preciso combinar
um local de fácil acesso e ficar atento para que o entregador identifique facilmente.
De
novo, a Campus Party é um ambiente compartilhado por uma multidão durante seis
dias, e há todo tipo de gente. Tome cuidado redobrado com seus pertences, a
organização etiqueta o computador de cada campuseiro, mas todo o resto é de sua
responsabilidade.
Use
trava para notebook e cadeados para fechar sua barraca, mala e mochila. Evite
ao máximo deixar dinheiro vivo guardado no camping, a dica, aliás, é manter o
máximo de coisas com você, até mesmo fixadas no corpo. “Parece
brincadeira, mas é verdade! Meu celular sempre fica preso em uma cordinha e
amarrado na calça”, explica Karoline Miranda, organizadora da caravana UaiFi,
de Belo Horizonte.
Para
quem vai de caravana de outros estados para São Paulo, a Campus Party já começa
na viagem, vale levar DVDs com filmes e seriados para passar o tempo, além de
lanches e muito assunto para esgotar ao longo do caminho dependendo da
distância, o trajeto pode durar mais de um dia.
“Não
paramos de conversar um segundo durante a viagem e acaba sendo bem divertido”,
conta Emilio Hoffmann, organizador de uma caravana do Rio Grande do Sul. Ele e
outros líderes recomendam que, na chegada, todos andem juntos, assim um pode
ajudar a vigiar o outro e facilitar o credenciamento da caravana, que deve ser
feito em conjunto.
Os
vestibulandos devem lembrar também que a Campus Party pode coincidir com
período de matrículas em Universidades ou em programas do governo, como Sisu e
Prouni. Para se precaver, basta deixar algum parente munido de procuração
reconhecida em cartório para que possa realizar qualquer tipo de inscrição por
você.
Campuseiro
de verdade sempre leva consigo muitos gadgets. Eles podem variar dos essenciais
notebooks, desktops e smartphones até câmeras profissionais, fones de ouvido e
seu próprio roteador. Afinal, a conexão de 50 GB oferecida é somente via
cabo, sendo necessário criar um hotspot pessoal para usar Wi-Fi.
Para
os amantes de games, vale levar caixas de som, TV e muitos adaptadores. Em
alguns casos, participantes chegam a encher um carrinho de compras inteiro com
suas coisas no primeiro dia de Campus Party o limite depende somente da sua
disposição para vigiar e carregar tudo.
Uma
outra duvida grande nas enquetes, “Tem meninas dentro da campus party”, a 11ª
edição da Campus Party quase igualou o número de mulheres
participantes com o de homens pela primeira vez. Em 2018, o número de garotas no
evento chegou aos 40% em comparação com a edição de 2016, que tinha 27% de
meninas.
Segundo o diretor geral da Campus
Party, Tonico Novaes, é um processo que começou internamente desde a produção,
patrocínio e outras atividades que estão associadas ao evento. "Nós
estamos trabalhando com diversas iniciativas, como Women in Technology,
Women in Science, também trouxemos mulheres para serem embaixadoras do
evento, além de palestrantes. A minha própria equipe têm 90% de garotas.
O ideal é chegar aos 50% e equilibrar o número de mulheres que gostam de
inovação, tecnologia, ciência e empreendedorismo e que possam contribuir de
verdade para o evento".
Para Laiane Ricardo, estudante de
Análise de Sistemas, em Goiás, saber que o número cresce é uma felicidade, já
que meninas não são valorizadas na tecnologia, ainda mais se forem mulheres
negras.
"Por
ser mulher e negra nós temos que matar dois ursos por dia, ainda mais em uma
área predominante de homens, tem que ser muito guerreira pra continuar. Nós
somos desestimuladas na tecnologia, na minha turma são quatro meninas para
quarenta meninos. Eu pretendo seguir nessa carreira, não desistir e atuar na
área de banco de dados e otimização de consultas", contou.
Pra
quem participa da edição há uma década, a mudança é positiva e uma quebra de
paradigmas no mundo geek, que
ainda é bem machista.A empresária, gamer e casemodder, Débora
Rodrigues de Jesus, completa dez anos de Campus Party e seis anos de
participação com o coletivo que modifica CPUs.
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