
Eis que eu vi um cartaz com letras douradas escrito: Harry Potter e a Pedra Filosofal – A história do menino que sobreviveu e, no auge dos meus 8 anos de idade, na porta da escola um monte de gente carregando um livro. Pensei Tenho que ler isso. Então começou o amor a primeira vista.
Até hoje eu me lembro da sensação que senti ao sair da sala, eu estava descontrolada! Nada me fazia parar de falar de como o filme era maravilhoso, de como eu ia esperar ansiosamente para que eu recebesse minha carta de Hogwarts.
Não é preciso olhar muito longe para ver os efeitos de Harry Potter no mundo. Sete livros. Oito filmes. Uma franquia spin-off. Diversos jogos. Plataformas midiáticas como o Pottermore e muitos – muitos – fãs. A geração millennialrespirou, ao longo desses vinte anos, a história do Menino que Sobreviveu de todas as formas possíveis, incorporando-a à cultura mundial e tornando-a um clássico instantâneo.
Mas a um nível pessoal, como ela afetou os fãs? Aí é uma questão subjetiva. Cada um teve sua própria experiência com a saga, embora todos tenham passado por situações em comum – como por exemplo, esperar incansavelmente os trailers e notícias a respeito dos próximos livros a serem publicados e filmes a serem lançados. E não esqueçamos das sessões nos cinemas, acompanhados por amigos fantasiados, principalmente nas pré-estreias de meia-noite.
Meu primeiro contato com a história foi um deslumbramento sobre a possibilidade de uma criança comum que tinha algo de especial com a magia. Conforme fui crescendo e lendo e relendo os livros ou vendo e revendo os filmes, minha perspectiva foi mudando. Eu passei a ter uma consciência muito mais real do que é uma família, do que são amigos, do que é o amor na forma mais pura e do que ele é capaz de fazer com as pessoas. Aprendi que as circunstâncias podem sim influenciar o indivíduo e que cabe a cada um identificar o que deve ser feito.
Meu primeiro contato com a história foi um deslumbramento sobre a possibilidade de uma criança comum que tinha algo de especial com a magia. Conforme fui crescendo e lendo e relendo os livros ou vendo e revendo os filmes, minha perspectiva foi mudando. Eu passei a ter uma consciência muito mais real do que é uma família, do que são amigos, do que é o amor na forma mais pura e do que ele é capaz de fazer com as pessoas. Aprendi que as circunstâncias podem sim influenciar o indivíduo e que cabe a cada um identificar o que deve ser feito.
A história do bruxinho foi muito além de proporcionar os aprendizados que citei, por causa dos livros e filmes eu fortaleci alguns laços de amizade (ficar na fila do cinema por mais de 5h tende a fazer isso com as pessoas) e formei novos.
Eu amo os filmes, com todos os efeitos e atuações tão impecáveis. Mas existe uma gama de informações não exploradas nos filmes, eu poderia lista-los todos aqui, mas apenas resumirei tudo em um apelo para que: se você ainda não leu os livros, de uma chance à eles. Mesmo que já tenhas visto os filmes, pergunte a qualquer potterhead, eles confirmarão que muito da história se perde nos filmes.
Com o passar dos anos, e uma maturação emocional e psicológica maior, alguns temas foram se tornando mais claros, enquanto a história se tornava mais sombria e mais complexa. Heróis mostravam tons sombrios em sua personalidade, enquanto mesmo os mais terríveis vilões tinham pedaços ensolarados.
A Ordem da Fênix – livro – foi um divisor de águas em minha vida. Tendo lido anos após tê-lo adquirido, foi a primeira vez que senti que estava lendo algo muito mais importante do que apenas mais um livro infanto-juvenil com proposta fantástica e protagonistas carismáticos. Tinha em mãos uma história com grandes inspirações políticas, discutindo questões como ditaduras e interferências midiáticas nos governos.
Durante boa parte da minha vida, a jornada de Harry, Rony e Hermione foi um guia central em termos de moralidade e esperança, e uma fonte infindável de entretenimento e diversão orgulhosa. Criado em meio a esses personagens, pude diversas vezes enfrentar algumas situações nada agradáveis, como alguns períodos de depressão profundos.
E embora, como citado por Alvo Dumbledore, “Não vale a pena mergulhar em fantasias e esquecer de viver”, foi a fantasia de Harry Potter que ajudou a moldar uma pessoa melhor e um leitor voraz, com gosto pelo mistério, pelo suspense e por personagens marcantes e bem desenvolvidos.
Foi uma jornada sem dúvida alguma encantadora e mágica, que me levou à Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, conhecendo os mais adoráveis professores – e alguns detestáveis, é claro. Que tirou um jovem bruxo órfão morando com seus cruéis tios e o colocou junto de dois bravos amigos, enquanto eles viviam em uma aventura espirituosa, agitada, perigosa e mais de uma vez, letal.
E por mais que eu tenha consciência dos detalhes que tornam a minha relação com Harry Potter única, também sei que sou parte de toda uma geração que cresceu ao lado desse herói simpático, tímido e até mesmo chato. Uma geração que sobreviveu a momentos de grande reviravolta no mundo, mas que sempre se viu apegada a uma fagulha de esperança, por vezes aprendida com a série.
Trata-se da geração que viu, na obra de Rowling, mais do que uma simples fábula moderna, mas também um universo ilimitado de possibilidades e debates, que ajudou amizades a serem construídas e incentivou, dentre muitas outras coisas, a leitura e a busca por conhecimento.
Uma geração que descobriu, nas entrelinhas da magia e da bruxaria, temas humanos e socialmente relevantes, desde a luta pelas minorias representada por Hermione em Harry Potter e o Cálice de Fogo ou toda a clichê jornada de amadurecimento emocional dos personagens, enquanto descobrem temas importantes como o amor.
Que Merlin permita que as futuras gerações sejam inspiradas por esse universo tão maravilhoso que um dia, uma mulher com sérios problemas pessoais resolveu compartilhar com o mundo.
Hoje sei que sou mesmo Gryffindor e que meu patrono é um Wildcat fofinho e sei que não importa quanto tempo passe, eu estarei eternamente esperando minha cartinha.
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